Parei de questionar e comecei a viver

14/04/2018

 

Nasci prematura, de 6 meses, com sequela de paralisia cerebral que afetou a visão esquerda e pé esquerdo. Ando sozinha com certa dificuldade e em alguns lugares preciso de apoio. No ano de 2004 meu pai estava sem emprego e resolveu tentar alguma coisa mais para o interior, onde moram meus familiares, então nos mudamos de Sorocaba - SP para Arandu -SP. Nesse ano, eu iria completar 18 anos, já havia terminado o ensino médio. Minha mãe dizia que não sabia se eu poderia continuar a estudar, fazer uma faculdade, pois não tínhamos dinheiro. Aquilo me afetou muito, pois eu queria muito fazer uma faculdade e numa cidade pequena eu não tinha muita coisa para fazer.

 

Estudar era um incentivo para mim, a adolescência foi um período muito difícil, pois eu sempre me achava diferente de todos devido a deficiência física e tinha praticamente zero autoestima. Foi aí, em 2004, que todo esse sentimento negativo se agravou, eu me sentia inútil, passei a dormir mais e comer mais, e só saía de casa para ir visitar os parentes, por fora eu sorria, mas por dentro estava triste, estava com depressão.

 

Desde criança sou cristã, frequento igreja evangélica, e então comecei a ainda mais questionar a Deus: “por que você não me cura? Está escrito na bíblia, você cura os paralíticos, por que não me cura? O que eu estou fazendo de errado?”. Toda noite nas minhas orações questionava e chorava. Até que no ano seguinte, 2005, voltamos para Sorocaba – SP, uma vizinha veio contar que tinha uma agência que estava procurando pessoas com deficiência para vagas de emprego, fiz o processo seletivo e comecei a trabalhar. Em 2006 consegui bolsa de estudos e então fiz faculdade. Minha autoestima melhorou, não vivia mais depressiva, estava mais feliz.

 

Mas foi em 2014, 10 anos depois, que tive um chacoalhão. Estava vendo vários vídeos no YouTube, quando encontrei um vídeo no Nick Vujicic, (aquele australiano que não tem braços e nem pernas que escreveu o livro “Uma vida sem limites”, que vendia no catálogo da Avon hehe). Ganhei o livro de presente de aniversário de uma amiga. Nick contou sua história toda no vídeo e eu não parava de chorar enquanto assistia. Me identifiquei muito com ele, pois assim como eu, ele é cristão e fazia as mesmas orações para Deus: “por que você não me cura?”. Nick hoje é casado, tem 3 filhos e viaja o mundo dando palestras motivacionais e compartilhando sua história, com o auxílio de uma cadeira especial e um ajudador. Então eu pensei: se ele, mesmo sem braços e sem pernas, conseguiu superar e ter uma vida de qualidade, eu também consigo, eu tenho braços e pernas (ainda que não funcionem muito bem).

 

Parei de questionar e a brigar com Deus e percebi (e é o que eu acredito) que Ele tem um plano para cada pessoa. Ele não me curou da paralisia do jeito que está na bíblia, como eu gostaria. Mas me mostrou todas as coisas boas que eu tenho na minha vida, apesar das dificuldades, e que eu não enxergava antes, porque estava o tempo todo fazendo a mesma pergunta, olhando só para o que era ruim e me comparando com as pessoas “normais”.

 

A partir daí comecei a viver de verdade, parei de me comparar com os outros e focar nas minhas qualidades e não nas dificuldades. Eu acredito que essa foi a cura que Deus me deu. Gosto muito do que Nick fala no livro: “Eu tenho um par de sapatos guardados, caso Deus queria me dar braços e pernas”. Isso é acreditar que nada é impossível, parece até loucura, mas o importante é acreditarmos, independente de religião, se você tem uma religião diferente, ou se não acredita em Deus, acredite em você.

 

Não está tudo perfeito para mim, ainda tenho um longo caminho para percorrer e nem todos os dias são uma maravilha. Muita coisa para aprender. Não deixe que a sua vida passe diante dos seus olhos, corra atrás daquilo que você quer. Se for preciso mudar, mude, não vai ser fácil, mas vai valer a pena, com certeza.

 

Conheça a história do Nick Vujicic clicando aqui 

 

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