Meu amor por crises e uma reviravolta

02/05/2018

Eu amo crises. Sério! Eu adoro saber que as coisas estão em movimento e que, de alguma forma, haverá mudanças.  Acompanhe meu raciocínio que você irá entender. As crises são os momentos mais criativos da humanidade. São os rompimentos do que não está mais funcionando para uma renovação, para um novo estado. Para alguns, isso pode ser o pior dos cenários, mas, com o olhar correto, é possível perceber a formação do arco-íris por detrás da tempestade.

 

Boa parte das pessoas tem verdadeiro pavor de mudanças, agora, imagine de crise... Eu entendo essa sensação, afinal, ainda que a situação não esteja tão boa assim, é melhor ficar com o que se conhece do que se lançar ao abismo do desconhecido. É como aquela analogia do sofá confortável.

 

Ter um sofá confortável em casa é um convite à procrastinação. É saber que, ao se sentar, ele irá lhe abraçar, dizer que lhe ama para todo o sempre e, quase que imediatamente, lhe fazer ligar a televisão para uma maratona de sabe-se-lá-porquê-e-que-você-não-precisava-de-verdade. Antes que eu seja mal interpretada, não tenho nada contra sofás confortáveis, mas, se você tem tendências a enrolar ao invés de fazer o que precisa ser feito, reveja sua escolha para esse móvel tão precioso.

 

Pois bem, a zona de conforto ou, também conhecida, zona de segurança, é como um sofá fofinho. Você até tenta evitar ficar muito tempo apreciando o momento, mas é inevitável. Eu entendo você, não sou santa. Procrastino horrores e, em outro artigo, até posso falar sobre isso. Mas o assunto do texto de hoje é outro.

 

Voltemos às crises... Se não fosse a sensação de desconforto e, em alguns casos, de dor (em diversas intensidades) a humanidade teria feito muito pouco progresso. A História nos traz centenas de exemplos... e, prestando atenção à sua vida, certamente terá exemplos também.

 

Eu acredito que a mudança do mundo é feita pela soma das mudanças individuais, por isso que, não são os "outros" que precisam fazer alguma coisa de diferentes, mas cada um de nós. E não precisa ser nada muito extraordinário, que é outra ideia equivocada que se tem. Basta uma coisa, uma pequena coisa que lhe fortaleça e lhe mostre que se mover é possível e viável para você.

 

Reviravolta

 

Sei que, por vezes, só mudamos quando algo nos move. Em determinados momentos, literalmente. Eu estava escrevendo o parágrafo anterior quando fui informada, por minha amiga de apartamento, que a dona do imóvel estava voltando do exterior e teríamos que desocupá-lo em 30 dias. Meu chão sumiu por um segundo. Fui dar uma volta e o texto ficou pela metade.

 

Passaram-se 10 dias e já estou no meu novo endereço. Não é que tenha sido fácil arrumar tudo em tão pouco tempo, mas encontrar um novo apartamento, recolher minhas coisas em três endereços diferentes e colocar tudo no lugar virou prioridade máxima: eu preciso de tudo em ordem para conseguir trabalhar. Ganhei alguns calos, uns roxos na perna, dores musculares e alguma dor de cabeça nesse tempo. Para tornar a coisa ainda mais robusta é importante ressaltar que foi minha terceira mudança em seis meses.

 

Para algumas leitoras, poderá parecer que vivo em tempos de crises. Não posso descartar essa interpretação. Porém, diante da situação, eu poderia escolher entre lamentar a vida, ficar no susto ou resolver. A última opção me pareceu mais sensata e plausível. Vou compartilhar minha forma de pensar para que você entenda melhor.

Mudar era inevitável, apesar do tempo disponível - um mês - eu me conheço e sei que não conseguiria trabalhar sem que a demanda fosse resolvida. A minha programação precisou ser mudada, mas não deixei de atender ninguém da minha agenda para encaixotar as coisas. Felizmente, eu tenho prática em mudanças, o que me ajudou, e meu lado emocional começou a pensar as inúmeras possibilidades positivas de voltar a morar sozinha, bem como eu desejaria que fosse a nova rotina.

Muita coisa boa me veio à mente e sai anotando como pude: tenho o Google Keep no celular. À medida que fui arrumando cada caixa, também fui pensando na etapa seguinte, na funcionalidade de cada coisa e até no que eu não precisava mais. Criei uma ordem de tarefas mentalmente e fui executando com alegria, porque, para mim, ter um canto meu é a coisa mais linda desse mundo - seja num quarto, seja num apartamento de três quartos.

 

As habilidades acumuladas me ajudaram, mas não sou melhor que você que está aí, presa e lamentando que a vida não anda, ou, se anda, não é para o lado que você quer ir. Nossa única diferença talvez seja (prestou atenção no "talvez"?) o fato de que eu estou há mais tempo envolvida e em um nível visceral com o autodesenvolvimento. Tudo bem que não podemos ter tudo ao nosso controle, mas é bem possível agir diante das situações que aparecem para nós de maneira positiva e feliz. O fato é que, parada, sem descer do muro, nada vai melhorar.

 

Portanto, minha cara leitora, faça suas listas, crie planos de ação, faça, faça de novo, faça mais uma vez. Não importa quantas. Você nunca estará partindo do zero... Na pior das hipóteses, saberá como não fazer como antes. A evolução é uma constante, a mudança é uma constante e.. Quem diria... as crises, também.

 

Um abraço.

 

 

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