Essa minha timidez...

Eu sou a Wanda, conheço a dona do blog há muito tempo (né filha?). Esposa, mãe e avó, que adora desafios, alguns pelo menos, e assim vou vivendo... Ao criar este espaço, Thais  sugeriu que se quiséssemos,  poderíamos  enviar  um texto, um depoimento, enfim algo interessante.

 

De cara achei que não seria o meu caso, afinal mandar o quê, escrever sobre o quê? Tanta gente jovem, com ótimas ideias, com facilidade de escrever, etc e tal... No fundo me baixou uma forte insegurança, um medinho, talvez uma timidez! Ooops, essa é a palavra mágica, TIMIDEZ ! Boa, acho que é por aí...

Eu fui uma menina tímida. Muito tímida! 


Vou contar algumas historinhas para que entendam a tal da timidez da menina que um dia fui. Minha mãe (saudosa) dizia que quando eu tinha entre 4 ou 5 anos veio nos visitar, esclarecendo que nessa época morávamos em São Paulo/Capital, um jovem casal, ela sobrinha de mamãe , portanto minha prima e que residiam  no interior de São Paulo.


Morrendo de vergonha, corri para o quintal e ali me escondi, apesar dos apelos de minha mãe para que eu entrasse a fim de conhecer os primos. Só apareci na sala depois que eles foram embora. Dessa história, tenho algumas imagens na memória, sentadinha lá no fundo, esperando passar o tempo... Minha prima anos depois, idosa, e eu casada, já com filhas, chegou a comentar, essa passagem da minha vida. Vexame!!


Fui aquele tipo de aluna que ficava  no fundão da sala, me escondendo toda vez que o professor avisava que ia fazer perguntas sobre a matéria. O pior é que muitas vezes, sabia quase todas as respostas. 

 

O problema era o "levantar a mão" e a classe toda ficar me olhando hahaha


Anos mais tarde, já moça, fui trabalhar, pois passei em um concurso público. Foi nessa época, que realmente aconteceu  um “sério” problema na minha vida, envolvendo um aparelho. Ele era preto, tinha uns números, e tocava... enfim era um aparelho telefônico, que hoje é encontrado em museus... Minha Nossa Senhora, protetora dos telefones, ou seria das telefonistas, ou dos que usavam o aparelho...enfim, que horror eu tinha daquele negócio  que ficava na mesa da chefe.  Toda vez que ele tocava eu levava um susto, vivia  rezando para que ninguém ligasse. O motivo era muito simples: eu não sabia como lidar com aquilo, como atender, o que falar.  O meu problema é que  nunca tínhamos tido  telefone em casa, porque naquela época  ter telefone  era coisa de gente rica ou quase. Custava caro comprar uma “linha”, inclusive se a pessoa  mudasse de casa e fosse para outro bairro, precisava vender aquele “numero”   para comprar outro com o prefixo do novo bairro, traduzindo, um bem, um patrimônio e que não era para qualquer um. 

 

Mas voltando ao telefone no trabalho... a legislação na época do meu concurso público (Prefeitura de São Paulo, onde trabalhei), dizia que o servidor recém nomeado precisava cumprir 8 horas de trabalho e isso era o meu caso. Os outros colegas do Departamento, mais antigos, cumpriam 6 horas...então eu chegava cedo e ficava sozinha na sala, e como já disse, rezava  para que o "maldito" não tocasse. A primeira coisa que me ensinaram era que, ao atender o telefone (anotava os recados, avisava  que não havia ninguém, nem diretor, nem chefia, apenas esta criatura que vos escreve), deveria dizer: Prefeitura, bom dia!!

 

De tanto falar essa frase, apesar de pequena, fui me soltando, já conseguia bater papos, caso fosse um funcionário conhecido, fui aos poucos perdendo aquela ansiedade, o medo, e em alguns meses já dominava a sala, enquanto estivesse sozinha nela, claro... Sem  dúvida  nenhuma  que essa experiência, no início da minha vida profissional, foi  de extrema  importância no meu desenvolvimento como "pessoa", aprendi a   brigar com meus "demônios", aprendi a  sair de determinadas situações, enfim: APRENDI.


Dizem que a timidez num grau moderado poderia afetar todos os seres humanos, em algum momento de suas vidas, e pensado bem em alguns casos tem até um certo charme, o problema é a timidez excessiva, essa é séria, seja no “dia a dia”, nos relacionamentos...


Hoje está tudo mais fácil, temos muitos profissionais disponíveis para atender quem sofre  problemas mais sérios envolvendo a timidez, coisa que na minha época era mais difícil, inclusive   há um vasto material na internet, que vêm ao auxilio de quem precisa. Isso ajudaria em especial às crianças e adolescentes, e é nesse momento que os  pais  precisam  realmente ficar  mais atentos. 
E quem diria,  que a tal timidez, muitas vezes é  cantada em prosa e verso...

 
Poema TIMIDEZ

 

Basta-me um pequeno gesto,
Feito de longe e de leve,
para que venhas comigo  
e eu para sempre te leve...

Mas só esse eu não farei.
                  
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

palavra que não direi.

 

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

que amargamente inventei.

 

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

e um dia me acabarei.

 

(Cecília Meireles)

 

Se alguém perguntar se eu ainda sou tímida, eu diria que sim, ela ainda me faz companhia em determinadas ocasiões,  mas, melhorei e muito.  
  
Hoje, tenho certeza que sou uma pessoa melhor resolvida, porque além da experiência, há o fator idade, pois com ela ganhei uma certa desinibição. Interessante que de uns tempos para cá, vejo que fiquei muito parecida com a minha mãe, no sentido de ser mais falante, desinibida, aquela que conversa e brinca com a caixa do supermercado, na boutique, no petshop; fui mudando e nem percebi, só sei que essa coisa de ficarmos parecidas com o passar do tempo (mãe e filha), acontece e muito...mas isso é uma outra história, uma outra conversa!

 

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