A difícil arte de se permitir

27/05/2018

Tijolo por tijolo, vai surgindo um muro. Alguns poderia dar nome e sobrenome; outros, são episódios que foram sendo rejuntados pelas frustrações e mágoas. É tão difícil baixar a guarda. É difícil voltar a se permitir sentir o que, no fundo, estamos todos em busca: carinho e aconchego. 

 

A impressão que tenho é que foi construído por dores e me apeguei a elas. Como se tivessem muito mais valor que as alegrias que também fazem parte da minha história. Por que correr o risco de se ver sangrar o coração... de novo?

 

Como dá medo só de pensar que aquele aperto, aquele sufocamento, aquele soco no estômago pode me jogar ao chão... de novo! Não, não pode ser. Não vale a pena. Ainda mais agora, mais madura, mais segura de mim... “dona de mim”. Não preciso mais passar por isso! Mereço mais, muito mais! Livre que sou, posso me divertir sem me envolver. Me mantenho protegida e distante. PO-DE-RO-SA! 

 

Também fico sem o afeto, a intimidade, o companheirismo, o crescer-junto, o compartilhar a vida, o ombro, a conchinha, a leveza, o dia seguinte, a vontade de saber como foi o dia, o carinho, o silêncio que se preenche na companhia e as piadas internas... Ah! Mas quem quer isso hoje em dia? 

 

Aqui, envolta no meu “mundinho particular”, na “minha bolha” - idealizada e retroalimentada - sempre tentando fazer com que não seja invadido ou quebrado, faço o necessário para assim continuar. Afinal, tem dado certo, tem funcionado. 

 

Não que eu ache que é um lugar seguro, é agradável. Podem dizer que é só desculpa para eu ser antissocial e não me apegar a nada. Talvez tenham razão. Mas, como disse, tem funcionado bem. E mais: às ameaças, tenho desculpas. Ótimas desculpas, “desculpas válidas”. Até me esforço um pouco para validá-las!

 

O fato é que assim tenho ouvido e, não posso negar, também tenho dito. Permitir-se (de novo) é o desafio de nossa geração, de quem conta os 30 e poucos. Já vivemos coisas demais para saber o que não queremos, só que agora temos medo de viver intensamente, o suficiente para romper os tijolos. E ainda chamamos de maturidade. O que sei é que garantias nunca existiram. Não há mais quem não tenha sido machucado. Resta decidir: se jogar ou continuar no casulo. Cada um tem seu tempo para decidir e de que altura vai se deixar cair. 

 

Outro dia fui experimentar o slackline e acho a comparação com o “se permitir” bem oportuna! Dá medo, raiva, agonia... Exige equilíbrio, serenidade e concentração. Mas, depois dos primeiro passos desequilibrados naquela fita desengonçada dá uma vontade danada de ficar lá até atravessar todo trajeto: caindo, suando e tentando de novo. Um monte de sensações que me fizeram me sentir viva. 

 

Não sei o que você vai fazer, mas quer saber: vai com medo mesmo! Até porque, você - assim como eu - também sabe como é se der errado. Então, no fim, ver o mundo colorido, com horizonte amplo e sentindo o vento da brisa, é muito mais legal, do que essa coisa claustrofóbica que estamos inventando, né? 

 

Boa sorte! 

 

Ps: parte desse post foi uma apropriação de uma conversa pessoal. Agradeço pela inspiração 

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