Minha história de vida

30/05/2018

Nunca fui uma das pessoas que mais se aceitou na vida perante a cada marca que carrego em meu corpo. Desta forma não sei também se possuo ‘’autonomia’’ para escrever este texto, quem sabe é uma forma de ajudar mais pessoas que certamente já sofreram ou até mesmo sofrem com estas cobranças e neuras que nossa mente forma perante aos padrões de beleza, que a mídia mostra muitas vezes.

 

Sempre fui uma garota gorda, mas quando tinha cerca de 17 anos, comecei a tomar um remédio, de 500 mg, para um tratamento neurológico. Em cerca de 2 anos ingerindo esta bomba, meu peso chegou a cerca de 140 quilos, sofri muito com este excesso de peso repentino, não foi por conta de comer muito, pois quem me conhece sabe que sempre comi em quantidades pequenas e muitas vezes nem sentia forme (isso acontece até hoje).

 

Sendo considerada como uma das mais gordas da turma, muitas vezes sofri bullying por isso, e isso me afetava muito devido a minha falta de aceitação e a baixa auto estima. Hoje em dia sempre falo: "Respeite as pessoas se você quer ser respeitado". Nunca sabemos o que se passa dentro delas, e tem coisas que são bem dolorosas de se ouvir ou até mesmo aceitar.

 

Ainda com 17 anos, fiquei doente, e meus pais recorreram ao médico para me proporcionar o melhor tratamento que pudessem, assim como sempre fizeram, zelando pela minha saúde e me dando muito amor. Durante o tratamento tive que ingerir um remédio que era de 500 mg, o qual me fez engordar ainda mais, onde meu peso passou para 3 dígitos. Foi horrível! Comecei a vestir calça número 54/56, o qual não se achava na época roupa com estilo moderno e jovem, como vemos atualmente. Hoje em dia, por conta do grande crescimento do segmento, o qual me deixa muito contente em saber, as pessoas que vestem a cima de 44, podem encontrar roupas elegantes e que tenham seu estilo.

 

Para minha surpresa e dos meus pais, este remédio não era adequado para mim, e começou a causar outros efeitos colaterais além do aumento excessivo de peso. Recorremos a outro médico, o qual me receitou medicamentos adequados, porém no ano de 2010 eu comecei a perder peso rapidamente, mas ficou no efeito sanfona, emagrecia e engordava muito rápido, pelo menos tinha conseguido chegar aos dois dígitos do peso.

 

No ano de 2014 resolvi encontrar formas para emagrecer, fechando mais a boca, tendo alguns hábitos mais saudáveis e até cortei o refrigerante (o qual não consumo até os dias de hoje, por não sentir vontade). Comecei a perder peso muito rápido, só que como tenho alguns problemas hormonais aconteceu que por mais que eu emagrecesse de forma saudável, fiquei com muito excesso de pele, detestando meu corpo cada vez mais, por conta de ficar enxergando apenas as coisas horríveis. Estou contando isso tudo aqui, para que saibam que muitas vezes emagrecer não é tarefa fácil, tem muitos prós e contras também, cabe a nós qual lado desejamos mais. Foi a partir do ano de 2016 que consegui finalmente emagrecer tudo que desejava, sair da linha de obesidade e fiquei com o IMEC adequado para a minha estrutura física.

 

Quem diria que um dia iria vestir uma calça número 40 (realmente o número não me importa e sim estar me sentindo um pouco melhor comigo mesma. Tem momentos que são mais difíceis, por mais que sei que as nossas marcas contam nossas histórias, as vezes que me chateio com elas, por conta do emagrecimento repentino). Mas a vida nos ensina que precisamos ser corajosos, enfrentar os nossos medos, tentar sempre procurar ajuda, ver tudo aquilo que nos dói e não se envergonhar de quem somos. Nenhum ser humano é melhor que ninguém, somos muito mais que uma simples carcaça, carregamos nossa história, nossos sonhos e temos grande valor.

 

Muitas vezes, infelizmente, achamos que se fossemos de outra forma poderíamos ser mais felizes, mas é engano...Porque cada um é perfeito ao seu modo, nada acontece em vão, cada um tem sua batalha, tente sempre enxergar as pessoas com ‘’Os olhos do coração’’, para que desta forma você possa perceber o quanto cada um é maravilhoso. Hoje eu posso dizer, que me sinto como uma pintura a qual tem grandes detalhes, tanto na pele, quanto dentro de mim. Não ligue tanto para as "máscaras" de perfeição que as revistas mostram, somos seres reais! Preocupem-se sempre muito mais com seu conteúdo, não falo isso por não ter nascido com o corpo escultural e sim porque aprendi com o longo da vida, perante minhas batalhas, que muitas vezes temos que ser mais fortes do que imaginamos. 

 

 

 

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