Como aprendi a me amar

11/06/2018

Oi meninas, tutupom? Para começar bem blogueirinha, hahaha! Bom, hoje eu venho contar um pouco sobre o que eu tive que superar, e a lição que eu tirei de tal acontecimento, onde infelizmente muitas meninas poderão se identificar e que talvez consiga auxiliar.

 

Primeiramente, gostaria de falar um pouco sobre mim, um texto meio sem jeito, só que bem original. Sou a típica menina "privilegiada" da sociedade, que apesar do tom de pele negra clara e mesmo sofrendo por injúria racial, sempre estudei em escola particular, tinha carro para me levar para todo lado, dinheiro para o lanche todo dia, celular do ano e afins.., graças ao esforço e suor dos meus queridos e amados papais, que apesar de todos os privilégios que a vida nos deu, sempre me ensinou a ser humilde e dar valor a toda e qualquer conquista. Sempre fui uma menina alegre, brincalhona, "meio moleque", pois fui criada no meio de vários primos, nunca tive amores por Barbie ou Polly, eu gostava mesmo é de subir em árvores!!!

 

Eu cresci sabendo sobre um primo, que     graças a Deus é distante atualmente, que por várias vezes tentou abusar de mim, na época um bebê de 2 anos. Esse pensamento me fez ter uma visão diferenciada sobre homens (pois sou hétero) e relacionamentos, então me considero uma mulher livre. Nunca me senti na obrigação de fazer ou estar com determinada pessoa e muito menos fadada a praticar certo ato, certo? NÃO SOMOS OBRIGADAS A FAZER NADA QUE NÃO QUEREMOS! E MUITO MENOS ESTAR COM QUEM NOS AFETA DE MANEIRA NEGATIVA. Logo, se eu peguei foi porque quis e se fiz é porque deu vontade, ninguém tinha que falar nada ou opinar sobre tal.

 

Infelizmente toda mulher já aguentou o machismo do dia a dia, onde muitas vezes nossa liberdade nos tornava um objeto apenas para a satisfação pessoal. Eu convivi com diversos caras (por obrigação) que me ensinaram que nada vale nossa saúde mental.

 

Eu sempre fui muito apaixonada pela vivência do dia a dia, de lidar com pessoas e entender seus mais diversos comportamentos, onde me levou a ter algumas paixões, e cada uma delas deixou uma marca positiva, até porque tudo é aprendizado. Até o dia em que um certo relacionamento me destruiu e quase me matou.

 

É triste falar sobre e pensar que 6 à cada 10 pessoas possuem um relacionamento abusivo. Eu tive o meu, e espero que essa experiência traga uma mensagem boa para as leitoras. Todo relacionamento tende a começar a mil maravilhas, e esse não foi o meu caso! Bom, tudo começou sem um começo, dá pra entender? Não foi nada tradicional, com pedido, com sentimento aflorado e nem nada, apenas aconteceu. Durante os primeiros meses foi tranquilo, poucas brigas, situações onde era possível relevar e tocar em frente, só que eu não me sentia segura ao lado do mesmo, só que não terminava pois minha mãe era muito durona em relação a relacionamentos, e talvez por egoísmo e uma pitada de burrice, onde eu tinha certas regalias com esse namoro, e lógico, eu quis usufruir desse momento. Meus pais nunca foram as pessoas mais abertas do universo, então era bem difícil chegar a um acordo com eles em relação a sair, e enquanto eu namorava tudo era mais fácil, era vista como madura e isso foi ÓTIMO NO MOMENTO.

 

No meio do relacionamento comecei a perceber atitudes diferenciadas, como mentiras, mensagens estranhas no celular, chantagem emocional toda vez que entrávamos em desacordo, coisa que se tornou frequente com o decorrer do tempo. Tudo começou quando eu falava algo que não era do agrado, e ele me respondia com um tapinha no braço. Na primeira vez achei que poderia ser reflexo, as vezes acontece, sem querer, e logo pedimos desculpa, só que ele não, e isso se repetiu cada vez mais forte, e mesmo que eu pedisse para parar, sempre recebia uma cara cínica, acompanhada de um  "nem bati forte". Tentei terminar diversas vezes e ele continuava com a chantagem emocional, que iria mudar, que não aguentaria viver sem mim, que a vida dele era PÉSSIMA, e blábláblá! As coisas só pioraram, resumidamente, ele começou a me impedir de sair de casa, não aceitava que eu tivesse contato com certos amigos, sendo que ele podia conversar com várias meninas, inclusive as que já tinha ou queria ter beijado. Comecei a perceber todo esse abuso, e a deficiência que ele causou na minha saúde quando já era tarde demais.

 

Meu sonho de princesa era entrar para faculdade, eu sempre amei a vida universitária, então eu passei, de primeira, em federal e particular, só que não tive coragem de me mudar, então fiquei na particular perto da casa dos meus pais. Quando chegou a notícia que eu passei todos ficaram felizes, exceto meu namorado na época, além de querer controlar minha vida, quis se inscrever em uma prova alternativa para fazer a mesma faculdade que eu, no mesmo período, com a desculpa de que era importante passarmos mais tempo juntos. Lembro que no dia fiquei muito brava e brigamos, disse que não aceitava essa situação e ele ficou super agressivo, porém aceitou, querendo me dar a condição de se eu participasse do trote, ele iria à uma casa de show onde a fama não é das melhores, sozinho, livre para fazer o que quiser, já que minha mãe não permitia ir junto. Eu fui no trote hahahaha, e sinceramente, não dei a mínima!

 

Em um fim de semana tínhamos brigado, como de costume, pois nem toda sexta eu tinha aula da faculdade, e meus amigos sempre iam para o bar, juro, não tinha nada além de álcool e funk, não rolava pegação e nem nada, era só um rolê normal entre amigos, e ele ficava extremamente puto toda vez que eu ia, sendo que no mesmo horário ele sempre saia para beber ou jogar bola com a galera. Ele ligava para seus amigos e pedia para andar atrás de mim, não parava de me mandar mensagem, dizia coisas horríveis. Então no dia seguinte (sábado) ele fazia questão de chegar no almoço da minha família bêbado, fazendo graça, sendo que meu pai ODIAVA ELE E A SITUAÇÃO EM QUE ELE CAUSAVA.

 

Começou a ficar frequente todas as vezes que ele perdia o controle pela bebida, até de me agredir verbalmente na frente dos nossos amigos, por coisas bobas, ele não gostava que eu bebesse, ou que eu falasse com algum amigo, sendo que a maioria das minhas amizades eram masculinas.

 

O pior dos fatos ocorreu quando fui visitá-lo e ao entrar no quarto dele, ele estava jogado, pelado e extremamente bêbado, tenho horror só de lembrar, então eu tentei conversar, e fiz ele dormir, só que ele acordou, e acordou me dando um tapa na cara, me mandando tirar a roupa, falando coisas horríveis, que eu era obrigada a tirar a roupa e transar com ele. No dia eu estava com cólica, menstruada, então disse que não ia rolar, que eu não queria, só que ele pegou no meu braço, me jogou para fora da cama e disse que se eu não tirasse ele iria, eu fiquei em choque, nunca o tinha visto daquele jeito, lembro que ele pegou uma camisinha de postinho, colocou de qualquer jeito, me empurrou e ali começou a fazer o que queria, me mandou até fingir que estava afim, sendo que estava me machucando, mesmo suja e molhada de sangue de menstruação, foi a pior sensação do mundo, eu desliguei, entrei em um transe, não sentia nem os tapas, achei que ia desmaiar ali mesmo. Ele caiu para o lado, eu coloquei a roupa correndo e fiquei parada, durante algumas horas, sem reação nenhuma, sem saber o que fazer, rolava o celular sem rumo, até que mandei mensagem para minha melhor amiga, e ela me falou pra sair de lá correndo. Logo que eu me mexi ele acordou, dizendo que não lembrava de nada, perguntando onde eu estava indo, então eu dei banho nele, arrumei a cama e algumas coisas, ele percebeu "algo diferente" em mim, então pediu para que eu falasse, e eu falei, tudo picado, sem jeito, e ele começou a chorar, pedir perdão, todo aquele teatro .... E eu fiquei lá, parada, ele tentou transar de novo, na intenção de me fazer esquecer o sexo anterior, e eu fiz, eu tive medo de dizer não, fingi que foi ótimo, chorei e fui embora.

 

Eu NUNCA fiquei tão triste em toda a minha vida, eu perdi a vontade de tudo, de ir para aula, de conversar com as pessoas, evitei de vê-lo, me afastei de tudo e todos, e fingia estar ótima quando estava com ele. Eu queria ter morrido, queria não precisar respirar e conviver com aquela lembrança. E mesmo depois disso ele continuou, não parava, eu tentava terminar e era o mesmo show, a mesma promessa, e no dia seguinte estava ele me agredindo de todas as formas possíveis, principalmente quando era em relação a faculdade, roupa (sempre usei e amo usar shorts) e meus amigos, ele odiava que eu vivesse fora da cama dele.

 

Meninas, foram inúmeras situações, eu aguentei e persisti, pois quando estamos vivendo esse tipo de situação, nossas forças se esgotam, nossa saúde vai por água abaixo. Eu relevei as pequenas atitudes, achei que a pessoa poderia mudar, achei que era pequeno demais para terminar um relacionamento, nosso coração sempre nos avisa, sempre, só que precisamos escutar e entender que o mínimo que seja pode levar à beira do abismo.

 

Hoje em dia eu namoro, moro junto, sou feliz, tenho um relacionamento saudável. Se eu transfiro esse trauma para meu atual relacionamento? NÃO. Nossa Lorrayne, como você superou isso? É fanfic né? E a resposta é NÃO também. Na época eu fiquei devastada, para mim foi o fim de tudo, só pensava em me matar, simples. Só que eu entendi que era nova demais para morrer! Ia acabar com a minha vida, com a minha história por causa de um homem que não tem amor nem pela própria vida? NUNCA, EU MEREÇO MAIS QUE ISSO.

 

Só quem passa por isso sabe o quão difícil é lidar com seu psicológico, sua saúde mental. Durante todos os dias, eu tomei um copinho de coragem, coloquei em minha mente que EU SOU foda, sou linda, sou MARAVILHOSA, eu mereço uma pessoa que me ame e me respeite. Eu merecia viver! Então comecei a me amar, a me dar valor. Fiz vários exercícios diários de amor próprio, escrevia em todos os lugares, falava para todos os meus amigos. Enfim, um dia eu terminei, sem dó nem piedade, mesmo com todas as ameaças, dei tchau e não olhei para trás, inclusive terminei e fui para uma festa, hahahah! Por que? Porque eu mereço ser feliz!

 

 

Meninas, eu sei que ler textão é cansativo, só que eu preciso terminar isso dizendo, vocês são foda! Eu consegui e vocês também são capazes. Não se esqueçam de analisar! O mínimo que seja, a atitude machista e abusiva que você esteja sofrendo, é motivo para tomar cuidado, pois você pode estar em perigo! Se imponha, mostre que você é mais que seu/sua parceiros (as), tome frente disso, e saiba que sempre vai existir outra pessoa, você não está sozinha, pois temos uma comunidade inteira MXLLSao nosso lado!

 

Essa foto que estou enviando é do meu aniversário, organizado pelo meu atual namorido. Eu à escolhi pois representa minha fase, como eu me sinto comigo mesma, como eu estou feliz. Independente de tudo que eu já passei, seja naquele relacionamento, em outros e até mesmo as dificuldades da vida e do dia a dia, eu aprendi a me amar, me dou o próprio valor! Estou feliz, pois sei que sou capaz de tudo agora, e que você não precisa ter um trauma ou uma situação horrorosa como lhes apresentei, só basta cuidar de si mesma, ser forte, sejamos nossa própria luz!

 

Sério, sejam felizes, e tomem MUITO CUIDADO, vocês são fodas, são tudo de bom, são o suficiente para vocês mesmas, se amem!!! Obrigada por terem lido!

 

Quem precisar de ajuda está aqui meu contato:

email: lorrayne_abreu@hotmail.com

Instagram: abreulorrayne_

 

 

 

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