O dia em que eu renasci

19/06/2018

Esse ano fez 7 anos do meu “milagre", porque milagre? Porque nem os médicos tinham esperanças na minha melhora. Há 7 anos eu comecei a sentir dores nas costas. Tudo começou mais especificamente em uma segunda-feira, amanheci com muita, muita, dor nas costas, estava em semana de provas e trabalho da faculdade, logo pensei: mal jeito, stress, vou tomar relaxante muscular e vai passar. 

 

Dormia a base de relaxante muscular, na terça um amigo fez uma massagem para ver se aliviava. Quando foi na quarta feira eu tinha 2 trabalhos para apresentar. O primeiro eu apresentei com muita dificuldade, além das dores nas costas, eu sentia uma dor para respirar, pensava eu, são gases. Mas apresentei quase sem conseguir ficar em pé. Foi então que saí da apresentação e liguei para minha mãe para me levar ao médico, disse que estava com uma dor insuportável nas costas e que era melhor tomar um medicamento injetável porque eu não estava mais suportando. Perguntei para a minha professora de pauta se podia apresentar o trabalho na próxima aula, expliquei que estava com dor e ela aceitou, mal sabia eu que naquele dia eu não iria voltar pra casa, muito menos apresentar o trabalho. 

 

Tudo foi muito rápido, as dores aumentaram, cheguei ao hospital e pensei em ir direto para o ortopedista, mas me passaram para o clínico geral (o qual foi uma bênção). No clínico geral ele perguntou o que eu tinha, perguntou se tomava anticoncepcional (sim eu tomava desde os meus 12 anos de idade), perguntou se eu fumava, pediu ultrassom, raio-x do pulmão e um exame chamado Dímero D (para ver risco de embolia), eu perguntei porque fazer esse exame e ele disse que era por precaução. 

 

Aí as coisas começaram a mudar, fiz a ultrassonografia e depois comecei a cuspir sangue, nesse momento eu já tinha certeza que não era uma dor muscular, mas não imaginava que passaria por tudo que passei. Respirar foi se tornando cada vez mais difícil, e então veio o resultado do Dímero: “você precisa fazer uma angioressonância o mais rápido possível”. O médico já tinha dito para minha mãe: “sua filha vai precisar ser internada, mas só com o resultado da angioressonância vamos saber como está o quadro”. Depois de mais de 4 horas no hospital veio a resposta: “Sua filha precisar ir para UTI agora! Mais 2 horas sem tratamento ela pode não aguentar. Embolia pulmonar bilateral com infarto pulmonar direito! 6 dias de UTI, 30 dias hospitalizada”. 

 

Na UTI eu perdi as esperanças, dormia em pé, respirava por aparelhos, tinha muitas dores. Todos os dias coletavam mais de 30 tubos de sangue, já não tinham de onde retirar mais, todas as veias estavam estouradas, lembro de ser a única consciente na UTI, de passar o dia todo esperando a visita dos meus pais que durava apenas 30 minutos. Mas os 30 minutos mais felizes do meu dia. Na UTI eu só escutava que devia agradecer por estar viva, que minhas dores não iam durar para sempre. Enquanto estava internada acabei conhecendo dois anjos Adalto e Alice, eles me fizeram ter ânimo para lutar, disseram que era tudo passageiro que em breve eu estaria de volta a minha rotina. E eles foram FUNDAMENTAIS para a minha recuperação. Depois de 6 dias sai da UTI, e a luta continuava, dia após dia. 

 

Comecei a fazer a fisioterapia para respirar sozinha e melhorar, lembro que no começo levantar um pouco a bola da fisioterapia era um sacrifício, me cansava, eu chorava. Nesse momento contei não só com a minha família, mas com meus amigos. Tudo estava indo muito bem, estava quase me preparando para ter alta quando veio uma dor insuportável, uma falta de ar, lembro de ir de ambulância com oxigênio para fazer uma nova ressonância, e o resultado? Derrame pleural grave. Na época meu médico estava viajando para um congresso e a médica que ficou no lugar disse que era só uma pneumonia e me dava um xarope e antibiótico. Após uma semana e eu só piorava, tive que parar a fisioterapia, as dores eram insuportáveis, já dependia de novo de aparelho para respirar. Um amigo meu que fazia medicina avaliou meus exames e disse para meus pais que eu precisava de um dreno. Minha mãe entrou em contato com uma médica conhecida e no dia seguinte meu médico estava de volta. E o diagnóstico? Derrame pleural Severo, meu médico chamou então um cirurgião, foi falado que eu precisava de uma cirurgia de imediato. O líquido que estava na pleura podia endurecer e a cirurgia seria de risco. Isso era uma quinta feira. 

 

Sábado decidiram me operar, colocaram um dreno e tiraram 2,3L de sangue. Resultado: mais vários dias hospitalizada, estava pesando 48kg. 

 

Vários momentos eu pensei em desistir, pois as dores eram insuportáveis, mas eu precisava ser forte, afinal se não fosse, quem iria lutar por mim? E assim fui seguindo dia após dia. Sem dúvidas o carinho e a presença dos meus entes queridos fizeram TODA a diferença nessa luta. Eu ainda acredito que esse milagre veio porque eu tenho um propósito maior nessa terra, sou veterinária e acredito que tenho muito que fazer pelos animais, e que essa é minha missão na terra. 

 

 

 

 

 

 

 

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