Fé, Foco e Determinação

02/07/2018

Meu nome é Jaqueline, tenho 32 anos, sou formada em administração e atualmente vivo na Costa Rica. Bem... minha mãe foi mãe solteira aos 32 anos, sou filha única e meu pai morreu de cirrose quando eu tinha 12 anos. Eu cresci morando de favor na casa de parentes até meus 13 anos de idade, e minha adolescência não foi das mais belas e mais fáceis, pois foi o período em que minha mãe e eu (quando já morávamos em uma casa muito humilde e simples) quase não tínhamos o que comer em casa. Meu sonho sempre foi cursar uma universidade, trabalhar em uma multinacional e viajar ou

 

morar em outro país, pois bem.... Com 15 anos comecei a trabalhar fora como serviços gerais (Limpava, atendia, vendia, empacotava, etc). Eu trabalhava meio período e estudava. Com o meu meio salário mínimo (que na época era 75,00 reais) eu pagava meu curso de inglês ao invés de comprar “comida para a casa” como alguns se referiam a minha “louca escolha”. Minha mãe trabalhava com serviços gerais em uma loja no shopping e o salário só garantia o aluguel do mês, luz e água, e o básico de alimentos para passar o mês. E neste mesmo período ela já sofria de úlcera varicosa, uma doença gerada pelas varizes onde cria-se uma ferida na perna que parecia não ter cura nunca. Noites e noites eu acordava com a minha mãe chorando de tanta dor, e eu não sabia o que fazer para ajudá-la. Muitas vezes, eu somente sentava ao seu lado ou deitava nos seus pés e fazia uma massagem para ver se de alguma maneira eu poderia aliviar o sofrimento dela.

 

Com 19 anos eu consegui o meu primeiro emprego de carteira assinada em um escritório, e muitos pensavam “agora ela vai ajudar a mãe dela”, e o que eu fiz? Prestei o vestibular e me matriculei em uma universidade particular. A mensalidade era maior que o meu salário, então eu trabalhava 2 meses para pagar 1 mensalidade. Foram meses e meses tentando bolsa de estudos e renegociando dívidas com a Universidade, até que eu consegui meu primeiro estágio em um banco público. Meu ex chefe e eu fizemos um acordo, e ele me mandou embora, pois com o dinheiro da rescisão eu poderia colocar a dívida da universidade em dia. Maravilha não é? Foi quando finalmente a minha vida e a minha carreira começou. Consegui a bolsa de estudos, o salário do banco eu poderia ajudar em casa, o vale alimentação eu fazia “aquela” compra do mês. Eu nunca comi tanto pão de queijo na minha vida! Estava tão feliz! Daí eu fui para um estágio melhor, e depois arrumei um emprego bom e por fim um emprego em uma multinacional onde estou há quase 7 anos.

 

Nestes quase 7 anos, consegui fazer mais algumas especializações, cursei mais 2 idiomas (espanhol e francês) e finalmente tive oportunidade de realizar meu sonho de viajar para outro país de férias: França! Em 2016, devido ao meu amplo conhecimento profissional e facilidade de falar outros idiomas, a empresa me ofereceu a proposta de viver e trabalhar em uma filial na Costa Rica. Eu não pensei duas vezes antes de aceitar. E aqui agora estou eu realizando meu sonho e podendo ajudar minha mãe. Atualmente minha mãe mora em uma casa linda que ela sempre quis morar, e eu estou aqui morando em um país lindo cheio de belezas naturais e viajando para todos os lados.

 

Fé, foco e determinação foi o que me fizeram sonhar e lutar pela realização dos meus sonhos. Diversas vezes fui julgada e criticada pelas minhas escolhas. O medo do que eu não conhecia também esteve presente por várias vezes em mim, porém eu sempre tive 2 escolhas: Ser sempre a vitima das circunstâncias ou ser guerreira e lutar pelos meus sonhos! Eu cai algumas vezes? Sim, cai e/ou errei... Mas com as minhas quedas e os meus erros eu aprendi, amadureci e melhorei. Eu agradeço a Deus todos os dias por quem eu sou e por nunca desistir.

 

Atualmente minha mãe ainda está em tratamento médico e graças a Deus melhorando a cada dia. Aquela úlcera que ela teve por anos e anos fechou. E os choros e as lágrimas de sofrimento que por anos eu vi no rosto da minha mãe, se transformaram em alegria e orgulho de ver que sua filha, que muitos pensavam e julgavam ser egoísta por não pensar em ajudar a mãe, na verdade estava pensando sim em um futuro melhor para as duas.

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