A vida é líquida. Aprenda a surfar.

16/07/2018

 

 

Larga. Solta. Deixa ir. Mantenha-se no presente. Volte do futuro. A vida só existe no hoje.

 

Você vê essas expressões em todo o canto, mas será que elas fazem sentido? Está complicado digerir essas recomendações de autoajuda. Nem prestamos mais atenção às frases que eram para ser inspiradoras. Fico me perguntando por que precisamos de tapas na cara da vida para entender o que é tão óbvio.

 

O equilíbrio da vida é uma ilusão. E nosso autoengano está no fato de achar que colocando os pesos certos de cada lado, os pratos ficarão paradinhos e nunca mais sairão de lá. Como somos tolas. A vida não é cartesiana, infelizmente. Aqui vale do clichê mêmico: aceita que dói menos.

 

Não há bloquinhos, caixinhas.. É tudo líquido: planos, metas, objetivos e até os relacionamentos... Contaram tudo errado pra gente, lá atrás. A gente sabe disso, só não quer vivenciar a verdade. O que não deixa se ser uma escolha possível.

 

Acontece que é chato demais ficar envolta da sensação de estar sempre atrasada, frustrada, incompleta. Passou tempo demais e já era hora de ter a carreira, a casa, o casamento, os filhos e tudo quanto é esperado, não é mesmo? Não é mesmo!

 

Se posso lhe sugerir algo, larga o seu plano feito aos vinte e poucos anos. Eles não existem mais. Você não é mais a mesma. E não tem nenhuma obrigação, nem mesmo obrigação moral de realizar o que foi desenhado há tanto tempo. Faça outras escolhas de agora, de hoje.

 

Agora, se tem vinte e poucos anos, faça todos os planos e se empenhe ao máximo, mesmo sabendo que vão mudar logo ali. E, nos dois casos, tá tudo bem.

 

A única constante é a mudança, você sabe disso. Só não sei se acredita ou vive brigando com o que é fato. Chuta o balde cheio de cobranças e respire ar puro. Tenho certeza de que está precisando.

 

Nessa corrida interminável a gente se esquece de olhar no espelho e vê quem somos com carinho. A empatia com quem somos se tornou um artigo de luxo e ainda é distorcido como não estar nem aí para os acontecimentos.

 

Nem oito, nem oitenta. Longe de mim sugerir que você tenha um estilo hippie de vida (a não ser que queira e se identifique). Pelo contrário, acredito que a vida pode ser leve sim quando somos amáveis com nossos sonhos e, também, com nosso cotidiano.

 

Que tal se perdoar pelo que não deu certo? Volta lá naquele dia do passado, viva seu luto, chore, deságue, e chegue no presente. Do contrário, é bem provável que continue se arrastando, sobrevivendo ao invés de viver. A Alexandra Solnaro, uma terapeuta portuguesa, diz que o karma é uma dor não vivida e que só nos libertamos dela depois de vivenciar o que está doendo. Ouvir isso foi um choque e passei dias pensando sobre o que tem se repetido ciclicamente na minha vida, verdadeiras pedras amarradas nos meus pés.

 

Descobri que era o controle, aliás, o excesso dele. Eu já sabia, só não queria admitir. Não tinha mais jeito de ignorar depois dessa, ne? Depois do que aconteceu em minha vida ano passado, o maior ensinamento foi exatamente entender que o controle é fútil. Até já falei sobre isso em outro post.

 

De toda maneira, cada uma de nós, está agarrada a algo no passado e/ou no futuro que nos tira do presente. E é esse o fio da meada pra começar a fazer seu tricô. Vou ficar torcendo para que se transforme em uma linda manta.

 

Agora, se o que escrevi até aqui faz sentido para você, se algo começou a dar coceira por mudança, se joga. Apenas pule e surfe. Vai doer, vai sufocar mais um pouco, vai piorar um tanto bom antes de ficar melhor. Só não pare no meio do caminho - como certamente fez nas vezes anteriores.

 

Desejo boa sorte. 

 

 

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