Passarinho fora do ninho

29/11/2018

E se te falassem que sua vida estaria prestes a mudar por completo em pouco tempo? Você acreditaria?

Isso aconteceu quando decidi aceitar uma oportunidade de emprego em outra cidade. Eu estava confiante de que daria tudo certo, que eu ia enfrentar algumas dificuldades, claro, mas que ia ficar tudo bem.

 

E lá fui eu, viajar, todos os dias, quase 100 km de casa.

Mas o que tem demais nisso? Muitas pessoas fazem isso, certo?

Certo. E quando você tem uma limitação?

 

Se você já leu meu primeiro texto no blog, sabe que eu nasci prematura e devido a um problema durante o parto, fiquei com sequela de paralisia cerebral, que afetou o lado esquerdo. Então tenho um pouco de dificuldade para andar e necessito de apoio de alguém em longas distâncias, lugares desnivelados e escadas.

 

Enfim, nada saiu como eu tinha imaginado/planejado, absolutamente NADA.

Mas graças a Deus, tive algumas pessoas que foram verdadeiros anjos na minha vida e sempre me ajudaram. Eu acredito que Deus envia pessoas no nosso caminho para nos ajudarem e acompanharem na jornada. Ainda bem que eu tive.

 

Os lugares não são naturalmente adaptados para quem tem limitação de mobilidade, então foi um desafio a rotina de pegar ônibus fretado todos os dias, ida e volta.

Outro desafio era chegar até a empresa e também me adaptar a um ambiente novo de trabalho.

Quero compartilhar o que eu aprendi com essa experiência que me afetou muito mais pessoalmente, do que profissionalmente.

 

Profissionalmente foi excelente, só acrescentou na minha carreira.

Já pessoalmente, me impactou de uma forma que posso dizer que não sou mais a mesma pessoa de antes.

 

Saí da minha zona de conforto, do lugar protegido, em que tudo era conhecido e fui enfrentar o “mundo lá fora”, como um passarinho que jogado para fora do ninho e tem que aprender a voar. Devido a algumas dificuldades, eu comecei a me questionar, se eu tinha tomado a decisão certa, se aquilo foi uma loucura ( hoje, pensando bem, foi, mas foi uma loucura boa).

 

Com isso comecei a duvidar de mim mesmo, comecei a achar que eu não era capaz, que eu tinha dado um passo maior que a perna e que eu não ia aguentar. Mas foi aí que eu aprendi: Aprendi que não se vive sozinho. Mesmo se você não tem nenhuma limitação física ou mental e mesmo sendo uma pessoa solteira.

 

Em algum momento, precisamos de alguém, seja para fazer algo simples ou complexo, no que for.

Então deixei de lado qualquer orgulho e aceitei toda ajuda que me foi oferecida.

 

Com isso também aprendi a ajudar, como forma de retribuir o que eu recebi. Aprendi o significado de generosidade e empatia. Ahh essa empatia que está na moda hoje, que todo mundo enche a boca pra falar, mas que poucos praticam de fato. Aprendi que existem pessoas que são sempre dispostas a se desprender um pouco do seu tempo e te ajudar.

Aprendi que existem pessoas indiferentes a você.

 

Que nesse mundo com bilhões de pessoas, nem todo mundo vai gostar de você ( seria muita pretensão, no meu caso, afinal eu sou tão falha quanto qualquer outra pessoa, cheia de defeitos e com coisas que ainda precisam ser trabalhadas). Aprendi que é muito importante ter educação e respeito com todos, não importa se é o diretor de uma empresa, ou a faxineira.

 

 

Cada um tem a sua função, o diretor precisa conduzir os negócios, enquanto a faxineira deixa tudo limpo para que se tenha um local decente de trabalho. Que todo trabalho é digno. Aprendi que cada um tem uma história e seus desafios diários, que pode estar enfrentando um momento de dor. Que está lutando tanto quanto você.

 

Aprendi a não julgar, aprendi que sempre temos a primeira impressão de alguém, mas não é essa que fica. É necessário conhecer e isso leva um pouco mais de tempo do que a primeira impressão.

 

Aprendi que eu sou capaz sim. E tenho orgulho de quem eu estou me tornando. Aprendi que os momentos difíceis da vida não duram pra sempre, que servem de lição e para nos deixar mais forte para enfrentar os próximos momentos difíceis. Porque a vida não é uma linha reta, tem as subidas e as descidas.

 

Que também é possível se alegrar nesses momentos difíceis e podemos parar para chorar e descansar, se estiver muito pesado, porque afinal não somos de ferro, somos humanos.

Essa é minha mensagem pra você que está lendo esse texto.

 

 

 

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