Cartas às mulheres

28/05/2019

Mulheres, precisamos conversar mais. Abrir nossos corações umas para as outras, ainda que isso ainda seja algo novo e assustador. Não somos rivais como pintaram a vida toda aos nossos ouvidos. Não somos invejosas umas das outras. Somos uma força tão poderosa que resolveram nos manter distantes umas das outras e isoladas achando que só no nosso mundo há tantas questões a serem resolvidas.

 

O isolamento nos fez fortes, independentes, capaz de habilidades e competências que são só nossas e é por isso mesmo que, juntas, podemos ser parceiras e companheiras... algo que não foi nos ensinado por nossa criação. Devíamos lidar com todas as questões emocionais e práticas sozinhas, literalmente, se virar ou achar um homem para preencher eventuais vulnerabilidades como um santo protetor.

E olha só o que temos descoberto: não é por meio de um relacionamento afetivo e romântico que nos tornamos mais plenas. Foi assim que nos tornamos presas fáceis de relações abusivas ou até nos tornamos abusadoras.

 

Claro que um namoro, um casamento e até um rolo saudável são bem-vindos, mas quando vamos aprender a também estar com umas com as outras de forma amorosa e saudável? Quando passaremos a estabelecer conexões de amizade e lealdade com outras mulheres?

 

Vivemos muito mais duelando umas com as outras que nos apoiando. Eu mesma, sempre tive preferência por amigos que amigas. É uma confissão. Admito que por muitas vezes não me senti compreendida ou acolhida pelas figuras femininas ao meu redor e foi o que me fez me afastar para ser mulher só comigo mesma, do melhor jeito que foi possível.

 

A gente se compara demais, se alfineta demais, se julga demais! Meu Deus! E, no fundo, o que mais queríamos era ter um espaço e um grupo de aconchego com quem passa por situações parecidas com as nossas. Se permitir ser vulnerável para outra mulher parece algo tão absurdo quanto admitir um erro a um chefe carrasco.

 

Não podemos continuar assim. Não é justo! Seres tão lindo, cheios de charme, amor e competência deveriam mudar para o mesmo lado do campo de batalha e até rever os motivos pelos quais se empunham armas.

 

 

Tenho dúvidas do quanto é necessário ser combativa e agressiva para ser respeitada. Nem estou falando das situações de assédio e os absurdos que todas nós passamos e estamos sujeitas. Mas nas situações mais simples e corriqueiras.

 

Pelas minhas últimas conversas com mulheres percebi que é o carinho que pode nos unir. É a aceitação e o respeito de como cada uma resolver fazer a vida que trará o suporte que tanto precisamos para ser autenticas e plenas. Estados que merecemos viver e comemorar, também juntas.

 

Tenho estado muito feliz com essas descobertas do mundo feminino além de mim. Tenho me divertido e crescido ouvindo histórias e contando a minha história. Compartilhando ideias e abraçando causas. Que bom que eu estava errada sobre a perspectiva que eu tinha por tanto tempo.

 

Obrigada, mulheres, por serem tão foda e tão amáveis!

 

Estamos juntas. Contem comigo. 

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