Memorial de leitura da palavra mundo

Palavra mundo como descrever? Penso que o pensar como criança o que não somos mais, se faz urgente, e necessário no mundo. O qual se mostra no círculo da rapidez, tudo interligado no sistema virtual e desconectado do toque, do olhar, da vida de viver, sentir, olhar e tocar o outro.

 

Com saudosismo recordo da infância na grande metrópole, terra da garoa “Sampa” que hoje se afoga nas enchentes, leitura que deixo para outro momento, e assim, do passado lembro das lojas no natal, quando meu pai me levava para escolher o presente que eu queria, “tempos de riqueza”, e entrar de loja em loja era um desafio e um cansaço maravilhoso, se é que criança tem cansaço...e com olhos de criança fazia a leitura da beleza, do sonho, das luzes, e do meu mundo colorido.

 

Na leitura dos sabores do mundo não faltava o famoso churrasco grego, que hoje ainda sinto o gosto daquele pão quentinho com o sabor da carne assada, um sonho de paladar no aprendizado das pequenas coisas que ficam para a vida toda.

 

As palavras demoraram a chegar para que eu as falasse, minha mãe diz que comecei a falar com mais de três anos, creio que vivia no mundo das palavras pensadas, pois me lembro que ao andar de ônibus com meus pais, pensava... como o motorista sabia o lugar certo de todas as pessoas descerem, e na minha inocência de criança não sabia que havia uma cordinha que dava sinal para o motorista parar, e assim o motorista nas minhas ideias era o homem mais inteligente do mundo... somente quando já não havia mais a criança em minha inocência que descobri tal fato!

 

 

E assim no percurso da vida foi por muito tempo poucas palavras e muito mundo, hoje com mais de meio século de vida e muita caminhada, ainda vejo uma leitura de muito ego, falta de companheirismo a ponto de encerrarmos uma trajetória de vida em carreira solo, uma ironia quando na juventude buscamos o companheirismo, a formação de uma família, o amor da vida, e no derradeiro momento tudo muda, trinta anos se passaram dentro de um casamento que se acabou, se foi...e assim como um camaleão nos recolhemos ou nos adaptamos a nova leitura da palavra mundo, e como dizia um professor que passou pela minha trajetória universitária, ler, reler, treler a palavra mundo...

 

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