Crônicas de Tábatha

 

Não pergunte sobre a vida sexual de uma mulher, não peça fotos dela pelada, não seja só mais um cara desnecessário pelo caminho. Isso não lhe diz respeito. Você tem a sua, ela tem a dela. E antes que vocês compartilhem alguma intimidade, faça com que ela se sinta a vontade na sua companhia. Seja interessante e não broxante! Conheça a pessoa com a qual você quer se envolver, deixe ela te conhecer. Percebam as afinidades. Pergunte a ela o que mais lhe encanta na sua profissão ou se ao longo dos anos seu gosto para música mudou. Pergunte se ela já leu Bukowksi e gostou. Pergunte se ela moraria no campo ou na praia, e se colocaria o nome de Frajola num gatinho. Pergunte se prefere cerveja ou refrigerante, se já pensou em praticar alguma luta ou aprender a surfar. Pergunte o que mais lhe causa medo ou quem ela mais ama na vida. Pergunte se apenas um doce melhoraria seu dia ou uma noite de Sushi com os amigos. Pergunte o que ela acha da adaptação de "O Iluminado" e se acha mesmo que Capitu traiu Bentinho. Pergunte se ela realmente acha que no futuro algumas profissões serão automatizadas e o que ela pensa sobre as terapias que estão sendo desenvolvidas para depressão e ansiedade. E se depois de toda essa conversa, de horas num bar tomando café ou caipira, você ainda estiver interessado em saber com quantos caras ela já transou e o número abalar a sua masculinidade, você não merece essa mulher. Você não merece qualquer segundo que ela tenha gasto nas suas respostas, nem mesmo as indiretas feitas para expor seus desejos e interesses para com você. E talvez você nem tenha entendido suas reflexões, porque sua visão de mundo se limita numa postura que você acha que a mulher deveria ter. Então, faça um favor para os dois: deixe-a na companhia de Bukowski mesmo. Será melhor para ela (sem dúvidas) e para você também. Afinal, você jamais conseguiria se igualar a uma narrativa dele, quem dirá alcançar qualquer expectativa.

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