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  • Daiane Oliveira

Um relato de quem chegou ao trigésimo dia de isolamento social!

Como cantava Kátia “não está sendo fácil”... A cada aumento do número de caso de infectados com o Covid-19 penso que estou mais perto da morte. Parece exagero, mas é um medo muito real. Apesar de jovem tenho hipertensão, diabetes, problemas respiratórios e trato com remédio uma ansiedade. E não sei o que seria da minha vida se não ido poucos dias antes de começar meu isolamento completo ao psiquiatra, quando renovei minhas receitas de fluoxetina. Consegui terapia virtual, aliás pelo telefone, está servido. Só que ainda tenho a sensação de enlouquecer. É muita gente produtiva na internet, é muita gente malhando, é muita gente fazendo live, é muita informação, é muito de muito. Não sei se isso incomoda vocês, mas eu estou ficando realmente abalada com essa situação.


Por mais que esteja agradecendo o fato de ter alimento, de ter internet, de conseguir ler, tentar manter uma sanidade e mesmo pequena ter uma casa segura, não consigo achar que essa situação está absolutamente normal, que é férias e vai ficar tudo bem logo. Talvez não fique e estou me permitindo sofrer. Não sei vocês, mas acho importante sofrer, acho importante ter medo, acho necessário reconhecer e quando é algo paralisante que a ajuda profissional seja uma alternativa. Consegui auxílio gratuito, o que ajuda também. Não sei até quando terei salários e ainda fico altamente triste com todos aqueles que estão em situação pior do que a minha. Penso, se eu só tenho uma leve ansiedade que gera compulsões e estou assim, imagina quem possui depressão e ansiedade mais severa? Imagina quem está em uma casa minúscula com outras 7 pessoas? Imagina quem está passando fome. Não é o momento de entrar em desespero, mas também não é para ser Good Vibes. Sempre odiei gente feliz demais, sinto falsidade no discurso. Mas, esse é assunto para outro desabafo. Agora, só quero me permitir não estar plena, quero poder dizer que não estou bem sem ser repreendida. Não existe nada de errado em não estar magnífica todos os dias, mas também entendo que é necessário estar em equilíbrio. Viver triste deve ser algo muito difícil também. Mas, hoje só quero abraçar a tristeza e dizer “Adeus ditadura da vida feliz”!


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